26 janeiro 2015

O divórcio e suas interpretações

Por Russell Shedd

Intro. A frequência do divórcio e o estrago nas vidas de cônjuges e crianças.
A. No Antigo Testamento
“O casamento é, em primeiro lugar, um caso de família. No período mais antigo da congregação cristã, ela se entendia como uma família espiritual, e a vida e preocupações de cada membro da congregação foram de interesse intimo para o corpo todo” (Divorce and Remarriage in the early Church, Harrell, p. 162). O casamento tem a finalidade de escapar a solidão e também multiplicar vidas piedosas para glorificar Deus (Gn 2.18): Cf. Gn 1.18; Mal 2.15.
O casamento revela a natureza e relacionamentos entre os membros da Trindade : 1 Co 11.
O casamento revela o relacionamento que Deus tem com seu povo: Jr 2 e 3; Os 2 e 4; Ez 16; Ef 5; Ap 21,22.
A tragédia do divórcio se reconhece nas estatísticas nos EUA:
  • 395,000 divórcios em 1959
  • 479,000 em 1965
  • 1,090,000 em 1977
  • 1,8 milhões em 1979
Em 1981 havia 11 milhões de crianças menores de 18 anos cujos pais são divorciados e mais um milhão por ano que sofrerão a dissolução de suas famílias. Até 45 % de todas as crianças nascidas no ano viverão com apenas um dos seus pais antes de chegar aos 18 anos.
Em 1960 Billy Graham disse que um divórcio se realizava em 4,000 casamentos. Em 1981 um pastor na Califórnia disse que de aproximadamente 200 casais apenas 4 estava casados com seus cônjuges originais.
Mas o divórcio não causa prejuízos apenas ao casal. Segundo pesquisas realizadas nos EUA, as altas taxas de divórcio e os índices elevados de mães e pais solteiros geram, pelo menos, 112 bilhões de dólares em gastos por ano. …Os gastos extras com políticas de combate à pobreza, gastos judiciais e programas educacionais. Em tese, esses custos crescem à medida que a fragmentação de família gera situações de desequilíbrio social. Mais da metade desse total é utilizado em programas de assistência a mães solteiras.” (Bapt. Press citado na revista Igreja).
Gen. 2:24 – O ideal no A.T. 1+1=1 Deixar, unir-se e formar uma nova carne. Família.

Permissão para o Divórcio
Deuteronômio 24.1-4.
  1. Causa reconhecida – “algo que o marido reprova”
  2. Conclusão formal – “dará certidão de divórcio à mulher”
  3. Separação física – “a mandará embora”
  4. Término irreversível – “não poderá casar-se com ela de novo”
Aplicação divina
  1. Jer. 3.6-4.4 – Deus aceitará sua “esposa” de novo.
  2. Mal. 2.16 “Eu odeio o divórcio”
O divórcio existe por causa do pecado. Sem pecado não haveria divórcio. Não foi instituído nem ordenado. Nunca foi mandado, mas permitido. Sempre regulado (Richard Sturz).
  1. Permitiu-se o divórcio segundo a lei. Os judeus no tempo de Jesus, segundo a opinião do Rabino Hillel, poderiam se divorciar por qualquer motivo – estragando o almoço, andar de cabelo solto, girar na rua, conversar com homens, maltratar os pais do marido, falar com o marido com voz alta, permitindo o vizinho ouvir! Shammai ensinava que a fornicação seria o motivo necessário para justificar o divórcio.
  2. A esposa (com alguma impureza) divorciada ficava livre para se casar. A carta de divórcio em presença de duas testemunhas dissolvia legalmente o casamento – Guy Duty, p. 20.
Deut. 22:21-24 indica que imoralidade era castigada com apedrejamento. A razão do divórcio foi alguma “impureza” “algo que o homem reprova” (NVI). Larga possibilidade de diferenças de interpretação.
  1. Proteção para a pessoa repudiada e não uma porta aberta para o divórcio.
  2. Coração duro é o motivo que Jesus menciona e indica que foi uma acomodação para que o homem não viva como Deus manda.
Malaquias – 2:10-16 Deus odeia o divórcio. A aliança matrimonial testemunhada por Deus mesmo.
B. No Novo Testamento
Mt 5:31,32 (apostasion)
  1. Shammai e Hillel é o ponto do debate. Jesus não entrou nessa.
  2. Não se menciona a impureza de Deuterômio.
  3. Jesus mostra que divórcio não é uma saída fácil.
    1. Faz a mulher repudiada adúltera (se recasar)
    2. Quem casa com ela também comete adultério (continua casada)
    3. A exceção – porneia (somente em Mateus 5.32; 19.9)
Mat. 19:3-12 corresponde a Marcos 10:2-12 (fora a cláusula de exceção)
  1. Porneia – casamento ilícito? (Lev. 18) mas não é provável sendo uma cultura judaica. Não se limitava apenas aos solteiros – Zanah (Nm 25.1,2; 1 Co 10.8. Cf. Ap 2.14. Em Am 7.17 zanah é pecado de uma mulher casada. Ap 2.20 usa porneia em relação a pessoas casadas – cf. Ez 23; Isa. 1.21; Jr 3.8 – At 15.20,29 (cf. G. Duty, pp. 54,55). Veja embaixo. Notem que a mulher de Samaria tinha casado cinco vezes. Mostra distinção entre casamento e os que vivem juntos, amasiados.
  2. Mais amplo do que a fornicação – Vine diz – Adultério, mas veja embaixo. Não quer dizer incompatibilidade ou falta de amor.
  3. Note que José e Maria pensam em se divorciar secretamente – Mt 1:19.
Jesus, segundo Lucas 16:18, ensina o que Marcos (10) também relata que não há exceção. Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério. Quem casar com ela comete adultério. O casamento não foi terminado com o divórcio. Mas, Dr. Grant Osborne crê que Marcos e Lucas assumem que o adultério revoca o casamento e permitiria o divórcio, uma vez que a posição gentílica era comparável à judaica.
São cinco pontos de vista historicamente aceitos do divórcio e novo casamento:
(Veja o livro de Craig Hill, Casamento: Contrato ou Aliança para os parágrafos seguintes).

1. O ponto de vista patrístico (Pais da Igreja) como uma exceção, a opinião de Ambrosiaster. – Pesquisa cuidadosa, vendo centenas de manuscritos escritos pelos líderes dos primeiros séculos – os Pais são unânimes no entendimento do ensino de Cristo e Paulo: se alguém sofresse o infortúnio do divórcio, um novo casamento não era permitido por qualquer que fosse a causa. (C. Hill, pp. 16,17).
A reação dos discípulos em Mat. 19.10 indica que Cristo não aceitava nem a posição de Hillel e nem de Shammai (divórcio e novo casamento permitido no caso de adultério). Jesus apresentava um visão ''revolucionária: que o divórcio era pecaminoso e contrário ao plano de Deus. No caso do divórcio, um novo casamento seria proibido, mesmo nos casos em que a imoralidade estava envolvida”. Veja o catecismo Católico romano. Esta ideia permaneceu na Igreja até o séc. XVI, quando Erasmo sugeriu uma ideia diferente. Esta posição abraçada por Craig Hill e Chales Ryrie, mas há dificuldades sérias com esta posição, portanto cremos que a interpretação mais abrangente seria mais correta.
Dr. Gordon Wenham escreveu três artigos que mostram, segundo ele, a impossibilidade de recasamento após o divórcio publicado no jornal Third Way. Ele argumenta que nunca há possibilidade de recasamento depois do divórcio por qualquer razão. Ele vê razão na reação dos discípulos em Mt 19.10.
Note que os teólogos anglicanos argumentam na base da frase “desde o princípio não foi assim.” (1) Baseado na instituição original, a dissolução é impossível. (2) O novo casamento enquanto o cônjuge estiver vivo é moralmente errado. (3) Somente a morte pode romper o vínculo de casamento. G. Duty, p. 62. Esta ideia ainda se confirma se o texto de Gn. 2.24,25 onde “unirá” pode incluir o conceito de uma aliança sagrada, uma vez que é termo usado em Dt 4.4; 10.20 para o aliança entre Deus e Israel.

2. O ponto de vista erasmiano (tradicionalmente protestante). Argumentou que no caso de adultério, baseado em Mt. 19.9, o divórcio seria permitido e consequentemente o novo casamento seria permitido para o parceiro inocente. Esta posição protestante também admite a exceção paulina de 1 Co 7.15. John Murray antigamente do seminário de Westminster também defendeu esta posição em seu livro, Divorce.
A cláusula de exceção deveria permitir que ela se case de novo, se for inocente. Parece claro que Jesus entendeu que a pessoa divorciada tinha o direito de recasar no caso de ser incluída na cláusula de exceção. Campbell Morgan, “O casamento poderia ser dissolvido por uma única razão, pecado sexual. Casamento é indissolúvel… a não ser por um único pecado” (The Gospel Acc. to Matthew).
Pastor Martin Lloyd-Jones em seu Livro Estudos no Sermão do Monte, cap. 24, declara que “só existe uma razão legítima para o divórcio – relações sexuais ilícitas”. Esse motivo é relações sexuais ou infidelidade conjugal por parte de qualquer dos cônjuges.

3. O ponto de vista preterativo (Agostiniano). A exegese é complicada. Em linguagem simples esta posição sustenta que os fariseus estavam tentando enredar Jesus a entrar num debate entre a escola liberal de Hillel e a mais conservadora de Shammai. Cristo não aceitou a isca. Ao invés disso, com sabedoria, evitou o assunto até que estivesse a sós com os discípulos (Mc 10.10-12). O debate envolvia a “coisa indecente” (Dt 24.1). As palavras de Cristo “não sendo por causa de relações sexuais ilícitas” eram, na realidade, uma preterição, uma omissão que evitava totalmente a pergunta deles. Cristo disse: “Eu porém, vos digo: Quem repudiar sua mulher {colocando de lado o assunto de “coisa indecente”} e casar com outra comete adultério”. Em casa Jesus resolveu o assunto. “Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra aquela”(Mc 10.11). Parece que resolve a possibilidade cultural de que na cultura romana o divórcio era requerido no caso de adultério. Cristo neste caso estava proibindo o novo casamento.

4. O ponto de vista dos esponsais (o noivado). Segundo esta posição, a cláusula de exceção de Cristo (Mt 19.9) permitia que a quebra de um noivado no caso de violação dos termos de noivado pela imoralidade do parceiro, antes da consumação do casamento. Veja o caso de José e Maria em Mt 1.18-20 em que se usa o termo “divórcio”. Mostra que o casamento não se cria apenas com relações sexuais, mas no compromisso com testemunhas. A palavra porneia fala de infidelidade pré-marital enquanto se pensa que Cristo teria usado o termo moicheia “adultério” se fosse o caso de infidelidade após o casamento. A posição da Igreja batista do Morumbi inclui, homossexualismo, bestialidade, incesto, etc.

5. O ponto de vista de consanguinidade (casamento ilegais). Defendido por Carl Lane, The Divorce Myth, pensa que Jesus usou a palavra “porneia” no sentido específico dos graus proibidos de consanguinidade conforme se vê em Lv 18.6-18. Sustento para este ponto de vista se encontra em Atos 15.20,29 e 1 Co 5 e nos Manuscritos do Mar Morto. Era problema para a Igreja primitiva uma vez que casamentos incestuosos eram comuns no mundo gentílico. Mas restringir a esta interpretação parecer estreito demais.
C. O Ensinamento de Paulo (1 Cor. 7:15)
1. Paulo diz, “1 Co 7.1,2 que o casamento existe (em parte) para prevenir porneia.
Não é questão de adultério.
A situação é nova. Não a Lei de Moisés nem de Jesus – é o mundo gentílico. É difícil (v. 26). Não manda e nem impediu que a parte pagã se apartasse da cristã, mas sim, deixou isto à seu próprio critério; porém, para a parte cristã não permitiu que por sua própria iniciativa deliberasse se apartar da sua consorte…:” (Aldo Ferretti, p. 27).
  • Devemos nos abster da aparência do mal (1 Ts 5:22).
  • Promiscuidade entre os gregos era notório.
  • Casamento somente no Senhor – 1 Co 7.39
  • Melhor casar do que viver abrasado – vv. 1,2.
2. A palavra de Paulo não contradiz o que Jesus falou – ela era inspirada. Trata de um problema que Jesus não tocou. Paulo afirma o princípio fundamental era que o casamento é um relacionamento de duração para a vida toda, portanto, o recasamento da pessoa divorciada constitui adultério.
v. 10 “Aos casados dou este mandamento, não o Senhor: Que a esposa não se separe (chorizein) do seu marido. Mas, se o fizer, que permaneça sem se casar ou, então reconcilie-se com o seu marido. E o marido não se divorcie da sua mulher.” O texto usa aphiemi – que não deve significar divorciar-se.
v. 11 – aqui não há cláusula de exceção como em Mt 5 e 19. Aqui não existe o direito de se separarem. Qualquer que seja o motivo, que se reconciliem.
A situação em Corinto – alguns pensaram em se separar para uma vida de celibato. vv. 10,11 – chorizem não dá base bíblica para entender que Paulo falava do divórcio. O cristão não deve casar com outrem. Pode ficar separado ou voltar para o marido. Querer uma vida de celibato não é base para o divórcio.
3. Crente casado com não-cristão não abre a porta para o divórcio. Pode ser que ganhe o marido ou mulher. (vv. 12-14). cf. 1 Ped. 3
4. Se o cristão for abandonado, não fica sujeito a servidão (dedouletai). Se o não cristão divorcia a mulher ela esta livre (aparentemente) para casar. Naturalmente, no caso do cônjuge casar ou adulterar primeiro. Até esse momento deve-se viver na expectativa de que Deus lhe conceda o arrependimento e o retorno à sensatez (2 Tm 2.25,26). Cf . vv. 27,28 “ligado e desligado. Por outro lado não há base para o recasamento por um cristão que inicia o abandono. Como diz Ferretti, “Não ocorrendo a reconciliação, então, cessará a esperança de voltar a vida conjugal, outrossim, só a morte de um dos cônjuges, liberará o outro para que possa contrair novo casamento; como assim se lê “A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, falecer o seu marido fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor: (Rm 7.2,3 e 1 Co 7.39).
Paulo não recomenda o recasamento – e permitido – dedetai – o tempo perfeito indica isto. Mas cf. 1 Co 7:39 “a mulher esta ligada enquanto vive, mas se falecer o marido fica livre, mas só no Senhor”. Fica sem resposta se Paulo de fato permitia o recasamento da pessoa abandonada ou não.
Rom 7:1-3 dedetai . Paulo não menciona qualquer exceção. Parece que para ele o casamento permanente é o ideal. Não há contradição entre 1 Cor 7:15 e v. 39 e Rom 7:
D. O Divórcio na Igreja
Gal. 6:1,2
  1. Comunhão dos remidos – algumas igrejas não permitem que divorciados se tornem membros, mas para ex-ladrões, adúlteros e outros pecadores escandalosos – 1 Cor 6:9-12. Jesus foi amigo dos pecadores.
  2. O argumento contra aceitação de divorciados é a posição de que aquele que recasa vive em adultério contínuo.
    1. Mas casamento após o divórcio não pode ser remediado com outro divórcio.
    2. Há muitos casos de cônjuges ter casado com outros.
    3. Casar com a repudiada é adultério, mas não diz que o adultério se mantem se continuam casados. A solução é arrependimento – Pelos frutos se vê que a pessoa mudou.
    4. Tem o fator de “o inocente”(Deut. 22:24).
    5. Tem casos de pessoas divorciadas e recasadas antes da conversão (2 Cor. 5:17). Não parece provável que Paulo excluía pessoas divorciadas da igreja se o divórcio aconteceu antes do divórcio.
    6. E casos de crentes? Se não for o pecado para a morte então precisa incentivar arrependimento e restauração. Quando não ocorre tem de haver fortes indícios de conversão de verdade. Quando o divórcio não tenha sido calcado em bases bíblicas, o crente é exortado a procurar a reconciliação (1 Co 7.11; Mt 18.21-22) ou permanecer sem se casar (Mt 5.32 e Mc 10.11,12).
    7. Se alguém casar com uma pessoa divorciada, sem aval bíblico, deve ser reconhecida como adúltera (Mc 10.12).
E. Liderança na Igreja
  1. 1 Tim. 3:2,12 e Tit. 1:6- pode ser poligamia, mas não é provável numa sociedade grega.
  2. Outra possibilidade é a exclusão de uma pessoa divorciada e recasada. A opinião de F.F. Bruce: mais provável que seja o caso de pessoas divorciadas e recasadas (veja 1 Tim 5:9). Na casa romana, a fidelidade do marido a sua mulher era normal (ficou livre se relacionar sexualmente com escravas, propriedade sua).
  3. O problema da liderança é sério sendo que o que ele faz implica a posição da igreja e não apenas individual. O testemunho da igreja está em jogo. Cf. Lv 21 v. 7 onde os sacerdotes de Israel foram responsáveis para um padrão muito alto no casamento.
  4. Não exclui a possibilidade de serviço cristão.
F. Perguntas
1. Se um marido pede divórcio e não tem base na Bíblia para o cristão? Pode se aplicar o privilégio de Paulo – se o marido for promíscuo, isto é adúltero (cf.1 Co 6.9). O cristão não é escravizado. Mas os que procuram o divórcio em bases não bíblicas estão sujeitos à disciplina da Igreja, porque rejeitam abertamente a Palavra de Deus.
2. Se uma mulher casar com um marido divorciado antes dele se converter? O padrão bíblico parece ser para cristãos. Não devem se separar. Parece que nem Moisés e nem Paulo forçaram o cristão a manter uma vida de solteiro nos casos dos cônjuges que forem inocentes.
3. Se o marido (professo cristão) divorcia sua esposa sem base cristã (adultério ou abandono). Ela pode se recasar? A Bíblia não admite se ouvirmos a palavra. Não há divórcio para cristãos. Parece que o marido professo não agiu como cristão. Parece que ele se mostra não-cristão e entra na categoria de 1 Cor. 7.
4. Pode o cristão iniciar separação legal (desquite)? Paulo diz que separação não é pecado mas não pode recasar. Casamento com outro fecharia a porta para a reconciliação. Ela continua casada.
5. Se um divorciado se converter ele pode casar de novo? Se a base do divórcio for bíblica. Primeiro deveria buscar a reconciliação com seu cônjuge.
6. Poderia o cristão buscar o divórcio por qualquer motivo? Sim, no caso de porneia, não outro motivo, é a opinião da maioria dos Protestantes. A dificuldade é saber que Jesus queria dizer com esta palavra – aparentemente não significa apenas o adultério, ainda que deve incluir o adultério. Pode ser que seria o caso de união com pessoa não permitida em Levítico 18 como já vimos.
7. Alguns tem perguntado se o casamento se legaliza no altar (votos) ou na união sexual?A indicação de Cristo para a mulher de Samaria mostra que o relacionamento sexual não significa casamento, mas Paulo mostra que essa união cria uma “carne” (1 Co 6.13-18 e Ef 5.31 citando Gn 2.24).
8. Em caso de divórcio não calcado em bases bíblica e que um novo casamento já tenha sido consumado (Mc 10,11,12) a pessoa que se casou está vivendo em “adultério”? Se acontecer arrependimento sincero, um outro divórcio só virá complicar a situação (Dt 24.1-5). Neste caso deve permanecer como está. (Igreja Batista do Morumbi)
9. Se um casal está vivendo em “divórcio espiritual” não seria melhor divorciar? Alguns achariam esta ideia a base para viverem juntos antes da legalização do casamento, mas isto é mais parece “ética da situação” do que da Bíblia. Mais problemático ainda é “divórcio espiritual”. A aliança não foi com apenas outro indivíduo mais com Deus também.

G. Outras questões

Considerações que estariam envolvidas em evitar o divórcio 
A. A distinção entre o Corpo e fora do Corpo de Cristo. Dentro do Corpo, Jesus é Senhor e tem o direito de ordenar o procedimento dos seus membros.
B. Alguns pecados que promovem o divórcio:
  1. Soberba, arrogância em vez de pobreza de espírito.
  2. Falta de mansidão – uma tentativa de manter os direitos que nós supostamente entregamos para Cristo.
  3. Mentindo – lembramos que prometemos amar, sustentar, nutrir para o melhor ou para o pior, até a morte nos separe. Craig Hill nos lembra que há uma distinção séria entre contrato e aliança (de sangue). É um conceito oriental praticado durante séculos no Oriente Médio Oriente. Uma aliança de sangue é o acordo mais intimo, mais sagrado, mais duradouro e mais comprometedora conhecida pelos homens. Jônatas e Davi fizeram tal aliança (1 Sm 18. 1-4). Homens preferiam morrer do que quebrar uma aliança de sangue.
Aliança é unilateral, irrevogável, indissolúvel, válido pelo menos até a morte. A aliança não depende do desempenho de nenhuma das partes.
Um contrato é um acordo bilateral entre duas pessoas, totalmente dependente do desempenho do acordo. Se uma parte falha, a outra não é obrigada a cumprir sua parte.
No conceito de aliança: “Estou irrevogavelmente comprometido com você até que a morte nos separe. Meu compromisso com você não tem nada a ver com o seu desempenho ou qualquer escolha que você fizer. É um compromisso unilateral diante de Deus até a morte.” Hb 13.5.
  1. Coração endurecido – Deut. 24 comparado com Marcos 10 e Mat. 19 Veja Heb. 3:7ss.
  2. Os primeiros dois mandamentos – Mc 12; Mat. 22 e Lc 10; Jo 13:34
  3. Críticas destrutivas – artigo de Craig Massey
  4. Ódio mantido no coração
  5. Desobediência de textos tais como Ef. 4:2; 5:22s
  6. Negação da soberania de Deus – Ef 1:11 e Rom 8:28
C. Seguir os textos básicos da Palavra para nunca ter que contemplar o divórcio Deut. 6:4-9; 1 Tim. 2:8-15; 1 Cor. 7 e 11:3; Tito. 2:1-8 Ef. 5:22-6:4 e 1 Ped. 3:1-7.
D. Algumas consequências do divórcio nos EUA:
  1. O índice de pobreza de crianças vivendo na casa de pais separados é cinco vezes maior do que de crianças cujos pais não se separaram.
  2. No primeiro ano após o divórcio, os homens aumentam o seu patrimônio em 42%. Já as mulheres divorciadas têm um declínio de 73% da renda.
  3. Os filhos do divórcio têm de 40-70% mais chance de repetirem ano ou de serem expulsos da escola.
  4. Crianças criadas em lares desfeitos têm menos possibilidade de terminarem o segundo grau.
  5. Um número incontável de adolescentes que fogem de casa vêm de lares onde houve divórcio.
  6. Crianças cujos pais saíram de casa sofrem de pesadelos e de carência afetiva.
  7. Os filhos de pais separados são mais agressivos e tendentes a se envolverem com gangues.
  8. As meninas de pais separados sofrem de ansiedade e culpa.
  9. Adolescentes vindos do divórcio são mais inclinados a se envolverem sexualmente antes do casamento.
  10. Os filhos do divórcio são mais tendentes a depressão, uso de álcool e drogas e têm mais dificuldade de fazerem amizades duradouras.
 Baseados nos textos da Bíblia e a experiência os casais devem:
  1. Fazer Jesus o Senhor como parceiro maior no casamento. Seguir as ordens bíblicas.
  2. Comprometer-se com a santidade, permanência, unidade, mutualidade e propósito de Deus no casamento.
  3. Submeter-se à corrente de comando no lar.
  4. Aceitar todos os requisitos do casamento segundo a Palavra de Deus.
A. Marido:
  1.  Amar sacrificialmente, como Cristo;
  2. Providenciar para a esposa e o lar;
  3. Reger sua casa sob Cristo sem autoritarismo;
B. Esposa:
  1. Apoiar, honrar e respeitar o marido;
  2. Sujeitar-se em Cristo;
  3. Ficar contente sempre e cuidar dos filhos e a casa;
C. Saber brigar de forma cristã.

Atitudes que mantém o casamento equilibrado
  1. Praticar o amor que dá mais do que recebe – evitar o egoísmo.
  2. Passar tempo juntos conversando, trabalhando, brincando, adorando, lendo a Bíblia e orando juntos.
  3. Respeito para a individualidade de todos os membros da família – oferecer uma liberdade equilibrada.
  4. Nunca fechar o coração nem a cara – converse e use liberalmente as palavras, “me perdoe, eu te amo”.
  5. Cultivar gratidão pelas coisas pequenas.
  6. Seja paciente com os outros lembrando que nós nem sempre estamos certos.

Barrancos que podem provocar o divórcio
  1. Falta de padrão estipulado de gastos – o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Orçamento familiar mantida com cuidado ajuda muito.
  2. Cuidado com os pais, parentes e amigos que se intrometem no casamento. A ordem bíblica é separar para se unir Gn 2.24.
  3. O sexo é parte essencial e linda do casamento – nunca usar para manipular o cônjuge.
  4. Crianças são uma benção, mais podem separar marido e mulher. O relacionamento de marido e mulher é normalmente acima da com as crianças.
  5. Convicções religiosas.

Conclusão

Oração para os que enfrentam crises: “Senhor me dá a serenidade e coragem de aceitar o que não posso mudar e o compromisso para mudar o que eu posso como também a sabedoria para reconhecer a diferença”. Deixar muito claro que nada que o cônjuge pode mudar o meu compromisso em manter o casamento.
Recomendações do Irmão Lourenço: “Ele me disse que Deus sempre nos dá luz no meio de nossas dúvidas quando não temos outro interesse senão agradá-lo e agir apenas para seu amor. (25/11/1667)
“Nossa santificação não depende de nos mudarmos nossas obras, mas em fazer por amor de Deus aquilo que costumeiramente fazemos para nos mesmos. Que era de lamentar ao ver quantas pessoas se confundem o fim com os meios, se viciando em certas obras que eles faziam imperfeitamente por causa de seus interesses humanos. Que não devemos cansar de fazer cousas pequenas por amor a Deus, porque Ele não se importa com a grandeza da obra, mas o amor com que foi feita”.
Linda Waite e Maggie Gallagher extrai de informações sociológicas durante décadas. Conclusões: Casamento é bom para homens e mulheres, muito melhor do que solteiros, amasiados, ou divorciados. Eles tem vida sexual mais satisfatória nos sentidos físicos e emocionais. Vivem mais anos, com mais saúde, mais contentes e recuperam mais rapidamente de doenças. Protege homens e mulheres do suicídio e doença mental. Deus nos criou evidentemente para sermos membros de uma família que fornece uma vida decididamente melhor.


Bibliografia:
  • John Williams , For Every Cause, Paternoster, 1981
  • Roberto Plekker, Divórcio à Luz da Bíblia, Vida Nova, 1985
  • Craig Hill, Casamento; Contrato ou Aliança, Bless Gráfica e Editora Ltda, Pompeia, SP, 1999 4ª edição.
  • Aldo Ferretti, Divórcio, sem data, Rua Harmonia, 670, Vila Madalena, 05435 São Paulo, SP
  • Guy Duty, Divórcio e Novo Casamento, Betânia, 1979 (Seg. ed.)

Um comentário:

Érol Stocchero disse...

Muito bom! Contextualizado e a luz da Palavra.